Panda descansando em Hong Kong. Fotografia de Elena Loshina. Disponível em Unsplash (2018).

Este ano eu fui eliminado do CACD na primeira fase, assim como nos anos anteriores. Mas diferentes das outras edições, eu controlei bem melhor meu déficit de atenção e pensamentos intrusivos, eu me dediquei mais, me preparei melhor, mas não passei. “Não passar é o normal, a exceção é passar“, já diria minha namorada. O que pode-se fazer numa situação como essa? Tanta coisa passa na cabeça. Como eu disse na publicação anterior, eu estava numa preparação bem para a 2º Fase – fazendo discursivas de edições anteriores do CACD, testanto meu tempo com cada caneta (0.4, 0.5 e 0.7), me preparando para melhorar minha execução das questões, fortalecendo o antebraço, revisando conteúdos que tenho certa fraqueza, e isso todos os dias. Fiz uma preparação intensa, com seus erros, claro – havia dias que eu não conseguia e já estava exausto; havia outros dias que eu simplesmente não consegui avançar mais; havia dias que eu só queria descansar. Mas eu segui firme e fiz uma preparação que me orgulho. Até que veio a quarta-feira passada.

Como já era de conhecimento público, dia 13 de agosto de 2025 sairia a lista de convocados para a 2º Fase, juntamente do gabarito definitivo. Às 06h da manhã eu recebi a notícia que foi publicado a lista no Diário Oficial da União e já fui conferir. Não achei meu nome em canto nenhum, e eu não soube reagir a isso. Naquele momento todos os anos de preparação caíram nas minhas costas e, igual uma criança, chorei sem saber reagir aquela dor. Não soube o motivo do choro, e ainda não sei bem: falta de reação num baque tão grande? Ou frustração? Eu não sei, tampouco importa… Eu não estava naquela lista, mais um ano que não senti esse prazer que ainda desconheço. Eu me dava mais de 90% de chance de estar naquela lista, por razões matemáticas: em anos anteriores, a variação de acerto bruto percentual da prova para PCD variou de 71 a 76,5% (entre 2017 e 2024). E de um ano para o outro, variou no máximo 2%. Exemplo: se em 2017, digamos, a nota tenha sido de 72%, no ano seguinte subiria para, no máximo, 74%. E esse ano passou de 2024 (76,5%) para 81,8%… Ou seja, não só estrapolou em muito o teto de 76,5%, mas também a tendência de aumentar no máximo 2% por ano. E quanto eu tirei?

Eu tirei 81,25%, a literalmente 1,5 item para ser aprovado. Inacreditável. Ano passado eu fiquei por apenas 1 item, e esse ano por 1,5 item. Como isso é possível? Isso é mais do que na trave, é uma bola no travessão, ou uma bola que passou quase inteiramente da linha do gol… O VAR não funcionou, né? Rs… Mais um ano, sinto-me roubado. Ano passado, com aquela questão bizarra que a banca considerou que as potências coloniais não focaram mais nas suas colônias africanas após a 2º Guerra Mundial. Esse ano, com a questão de direito que dizia que não há aceite de jurisdição tácita da CIJ. Todo ano eles mantêm gabaritos bizarramente errados, e isso me faz sentir não só a alegria de uma nota tão alta, mas a tristeza e indignação da minha cadeira ter sido roubada. Eu merecia estar lá, e a manutenção desse gabarito roubou minha vaga. Dois anos que sou roubado pela banca. Bem, fazer o quê…

O jeito é focar mais do que nunca para a nota de Ampla Concorrência, uma vez que PCD está se aproximando a passos largos desse nota de corte. E assim a vida segue. Desde quarta-feira eu fiquei num momento de tristreza muito grande, e tudo que fiz foi descansar, respirar, e jogar videogame. Passei dias sem responder grupos de CACD e amigos. Apenas me isolei e aceitei aquele tipo de “luto“. O CACD é algo tão difícil, que às vezes no dia do meu aniversário eu estudo, na véspera de ano novo eu estudo, e no aniversário de familiares próximos eu estudo. Quando eu tenho um descanso real dessa prova? Quando? Quando eu paro por uma semana inteira para descansar de verdade? Nunca. E agora eu fiz isso, e me sinto muito revigorado, e animado para recomeçar meu ciclo, montar uma nova rotina e estudar muito daqui em diante, até porquê há a possibilidade do próximo concurso ser ainda mais cedo em 2026, visto as eleições federais. Assim, sinto-me firme e revigorado, com ânsia de estudos e motivado uma vez mais. Vamos para cima. E como eu sempre falo: “já não é uma questão de se, é uma questão de quando“. Eu sei que serei diplomata, tenho certeza disso. Só não sei quando será. Mas preparo-me todo santo dia para o dia dessa aprovação.

One Comment

  1. Avatar Gustavo

    Giovana Braga

    Amor, eu sei o quanto você se dedicou e o quanto cada linha desse texto carrega não só a sua frustração, mas também a sua força. Eu tenho tanto orgulho de você, não apenas pelo resultado, mas pela disciplina, resiliência e pela forma como enfrenta cada obstáculo. Você não está sozinho nessa caminhada, e eu tenho certeza absoluta de que é só uma questão de tempo até o seu nome estar nessa lista. Enquanto isso, sigo ao seu lado, torcendo, acreditando e admirando cada passo seu. Te amo e tenho muito orgulho do diplomata que já existe em você.

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