Panda comendo bambu. Fotografia de Nathalie Burblis. Disponível em Pixabay (2022).
Acabei nem escrevendo tanto para O Tao do Diplomata, mas aqui estou eu. Bem, é tanta coisa, que realmente não sei por onde começar. Acho que iniciarei com a semana 9/9 já que o post de semana passada foi vazio. Bem, vários dos posts dessa série de post foram vazios. Mas é assim mesmo, não deu para fazer tudo que planejei, houve contratempos no caminho, houve percalços, e houve a procrastinação. Mas isso é o de menos, ainda sim eu consegui fazer simulados toda semana, por quase 2 meses seguidos, fazendo todas as provas de 2017 a 2024. Estou muito satisfeito por ter conseguido fazer isso, manhã e tarde, todo domingo (às vezes aos sábados), por quase dois meses. E isso é algo muito bom, pois me ajudou a me desconectar do celular e ficar tranquilo no dia da prova real. E eu me acalmei da melhor maneira possível: com números.

Essa é a planilha que fiz com o resultado de todos os simulados. Demorei horas para prepará-la, e posso ficar horas analisando os dados. Mas, em síntese, posso tirar inúmeras conclusões daqui: eu não sou tão ruim em história como eu pensava; eu posso tirar uma excelente nota nas duas histórias, e isso mostra que eu não tenho tantas dificuldades como eu imaginava; eu consegui acertar 23/24 em direito numa prova do Cebraspe (+95%). Eu consigo tirar ótimas notas em economia, talvez a matéria que mais tenho bloqueios. E eu sou inteligente. É difícil falar isso pra mim mesmo, quando por toda a vida pensei o contrário, mas sei que eu consigo ir bem longe. E é bom ter essa tranquilidade na mente.
Bem, seguindo para a última semana, eu estava bem focado, mas eu não sei porquê mas foquei muito nas aulas do Macau do Intensivo, ou seja, foco em Direito Interno e Internacional. Uma matéria em detrimento de outras 7. Mas bem, eu sentia que já não tinha tanto o que fazer, mas claro, eu revisei geografia, economia, histórias, e outras matérias, fiz vários exercícios, analisei meus erros e meu padrão mental quando marcava os itens nos simulados, e tudo isso me ajudou muito neste pós-edital. Logo, meus parentes de Brasília chegaram (majoritariamente na quinta-feira), que já é um dia que eu tradicionalmente reduzo o ritmo de estudo, embora tenha estudado até sábado por algumas horas. Mas foi fundamental estar com os familiares, que o tempo todo me apoiaram. E no sábado, o que poderia ser um grande trunfo ou ser algo que ia me atrapalhar: o casamento de um primo que é como um irmão para mim. Eu fui padrinho e testemunha do casamento, assinei os papéis no altar, e lá estava eu, sem pensar por um segundo no CACD. Foi muito bom ter ido no casamento, me deixou muito bem e relaxado, mas infelizmente, como eu já tinha avisado aos noivos, eu tive que ir embora 22:40, com pouco tempo de festa, uma vez que eu precisaria acordar bem cedo na manhã seguinte. Fui dormir lá pra meia-noite, e acordei 5:30, como de costume. Ainda acordei 3h da manhã para ir ao banheiro. Em uma situação normal, eu pensaria: ok, péssimo dia. Mas em nenhum momento pensei isso. Eu estive firme do início ao fim! Nem parecia que eu ia ficar cansado, exausto, sonolento, nada! Parecia que eu tinha dormido por 8h direto… E isso foi um grande diferencial, algo dentro de mim me deixou pronto para qualquer coisa. E eu estava bem desperto, animado, e sem ansiedade nenhuma.
Fui arrumar algumas coisas, fui passar meu café ainda antes das 6h, preparei meu sanduíche, leite com whey, e fiquei ouvindo podcast e lendo notícia como sempre faço de manhã cedo, algum vídeo no YouTube e é isso. É importante manter a rotina assim. Logo meus pais acordaram, a Gi acordou também, e ficamos conversando. Perto das 7h eu já estava pronto, e o portão abria 7h e fechava 8h, para a prova que começava 8:30. E eu saí de casa lá pras 7:25, e cheguei no colégio 6 minutos depois, realmente bem perto de casa. Eu deixei o celular no carro, por medo do celular tocar no concurso. Nunca me ocorreu quando desligo o celular, mas vai saber né… Não custa nada, correto? Então fiquei a próxima hora sem conversar com a Gi, com meus pais… Mas tudo bem, fiquei lá bem tranquilo! Vi um colega meu e ficamos conversando, o que foi ótimo. Tinha em torno de 50 candidatos inscritos para o concurso na cidade. Ano passado e retrasado foram uns 40, em 2022 acho que deu uns 25 apenas. Gosto da ideia de mais gente fazer o CACD no meu estado. Enfim, e logo entrei pra sala e fiquei tranquilo. Percebi que a prova estava fina, e quando tocou o sinal, notei o que suspeitava: apenas 7 páginas e meia. Eu fiquei incrédulo. Seria aquilo real? 1h a mais de prova para ter menos itens e menos páginas pra resolver? Parecia esquisito. Quando vi as duas histórias, minhas matérias que costumo ir pior, fiquei ansioso, foi o único momento que fiquei ansioso no concurso.
Gosto de histórias a tarde, pois como são as matérias que costumo (mas não sempre) tirar as piores notas, eu geralmente vou bem de manhã, fico confiante, e vou para tarde. Aí eu logo pensei: “ok, vou mal pela manhã, ficarei desmotivado, e então vou mal a tarde por estar me sentindo mal”. Poxa, que coisa, e o coração acelerando. Parei por 5 min e meditei. Respirei fundo, foquei na respiração, e meditei bem. Depois foram mais 5 min respirando como meditando, mas fazendo a prova. E meu coração voltou ao normal e fui começar a prova. Foi passando o tempo, e eu muito bem, inclusive senti que fui muito bem nas histórias. Estou muito empolgado com isso! Quando saí da prova, e me sobrou certo tempo, eu fiquei extremamente empolgado.
A tarde fui para a chácara, e toda a minha família estava lá reunida e me perguntando como fui. Mostrei as questões pra eles, e eles tiveram um gosto da dificuldade da prova. É realmente algo sinistro… mas c’est la vie… fazer o quê, né? Mostrei a eles uma questão bizarra na prova:
O Carnaval foi espaço para críticas sociais e reivindicações por justiça mesmo durante os anos 1970, período em que foi criado o grupo Ilê Aiyê, em Salvador, que levou às ruas questionamentos à ideologia da democracia racial, defendida pelo regime em vigor.
Na hora eu ri. Pensava como pode cair algo com tamanho grau de especificidade. Marquei certo pela ideia geral da questão, e claro, não por conhecimento do bloco de carnaval Ilê Aiyê e sua década de criação. Muitas pessoas se indignam, eu apenas aceito como a prova é. Não é 1 de 240 itens que me eliminará (ano passado foi assim, rs, mas se eu tivesse ido melhor em algumas matérias eu teria compensado isso). Enfim… voltando para o intervalo do almoço, toda a minha família destacou o quanto eu consigo e que eu ia bem! E eu já falando que se eu fosse pelo menos parecido com o que fui de manhã, eu poderia ser aprovado! Na volta da prova a tarde, quase sofri um acidente de carro, um motorista na faixa do meio cortou e jogou o carro em cima de mim, foi uma bizarrice de trânsito tremenda, mas tudo bem né… Fiquei muito estressado, mas logo meditei novamente e cheguei em casa, escovei os dentes, e me senti preparado para a tarde. Cheguei faltando 30 min para o portão fechar, porque realmente não tinha erro: cidade vazia em julho e o colégio bem perto de casa. Fiz o mesmo de manhã e deixei o celular no carro. Entrei para a prova e senti que fiz um bom trabalho em inglês, Política Internacional achei na dificuldade padrão, que diga-se de passagem é bem alta. Economia me senti mal porque caiu algumas teorias que nunca tinha ouvido falar na vida, e em direito, mais ou menos. Mas sem dúvidas, sem o Macau eu teria errado mais de 6 itens que depois vi que acertei. No fim do dia, voltei a ficar com a família e comemos pizza, eu descansei muito, e passei horas vendo os grupos e as questões.
Na segunda-feira, digno descanso. Não relaxei como geralmente faço… geralmente é o melhor dia do ano, o mais tranquilo, sem peso nos ombros, mas Deus não permitiu que eu me sentisse tão relaxado. Nos outros anos, era o dia mais tranquilo do ano exatamente pois ali, na 1° fase, acabava esse ciclo de estudos, aí era só ano que vem. Mas em 2025 não, algo já me dizia que eu não estava tão relaxado pois ainda tinha a segunda fase. E assim chegou a terça-feira, que passei a manhã toda tranquilo, já que o gabarito preliminar estava marcado para ser publicado às 19h. Mas logo 10h da manhã saiu! E eu fui conferir. Acertei 186 de 240, mas dois dias depois eu recorrigi e vi que foram 184 de 240, o que dá 76,6%, o suficiente para ser aprovado ano passado, praticamente o mesmo percentual exigido. Este foi meu resultado no gabarito preliminar:
CACD 2025 – Gabarito preliminar
Português – 33/40 = 82,5%
História do Brasil – 26/30 = 86,6%
História Mundial – 17/26 = 65,3%
Geografia – 16/24 = 66,6%
Manhã – 92/120 = 76,6%
Inglês – 21/28 = 75%
Política Internacional – 28/40 = 70%
Economia – 26/26 = 100%
Direito – 17/26 = 65,3%
Tarde – 92/120 = 76,6%
Total – 184/240 = 76,6%
Sim, eu gabaritei economia. Nunca tinha me ocorrido em nenhuma prova, em nenhum simulado. E eu gabaritei. Fiquei tão feliz, tem um professor de economia que dá aula para o CACD há mais de 10 anos, e ele “errou” 3 itens, e eu, que tenho em economia a minha maior adversária, gabaritei. Isso é tão marcante, tão simbólico. A matéria que mais procrastinei, menos estudei, e mais sofri diariamente pelo ciclo de procrastinação/TDAH, foi a matéria que eu gabaritei. Claro que o gabarito pode mudar no gabarito definitivo, mas essa é uma vitória que eu quis comemorar, e comemorei muito. Eu estou incrédulo com todos os meus avanços. Ir tão bem em economia, tirar um notão desses em História do Brasil, uau… como a professora Michelle Miltons me disse no privado, estava uma prova dificílima, e nem isso foi suficiente para me parar, que maravilha! Já História do Brasil, mesmo com uma nota muito alta, estava uma prova relativamente mais tranquila que outros anos, mas ainda sim é um mérito meu, uma vez que muitas vezes eu identifico questões “fáceis”, mas não consigo acertá-las. Então, pra mim, é um grande feito sim! Geografia foi a pior das surpresas, e direito foi relativamente ruim. Mas se não fosse o Macau, eu teria tirado 11 ou menos, sem dúvidas! Inúmeros itens eu acertei por causa do curso Intensivo dele… Bem que algo me dizia pra focar em Direito na semana final!
O dia 20 de julho, o dia da prova, foi marcante. Desde maio quando saiu o edital, eu sabia que 20 de julho era o aniversário de morte do meu cantor favorito, da minha banda favorita, Chester Bennington (Linkin Park), assim como o aniversário de nascimento do meu primo Gabriel, que já faleceu há muitos anos, um primo que eu tinha uma ligação muito forte. Assim, se Deus me enviou algum sinal, esse sem dúvidas foi o sinal. E isso já me deu uma confiança muito boa desde o início do período pós-edital.
E aqui estou eu, escrevendo isso sábado de manhã. Já vi inúmeros recursos de itens por aí, e tem potencial para mudar muitos gabaritos. E eu vejo que os mais polêmicos mudariam, em grande medida, a meu favor. Eu realmente creio que minha nota pode passar de 184 para 190 ou mais, estimo 192. Com 192, eu teria acertado exatos 80% da prova, o que seria mais que suficiente para a minha aprovação! Nota altíssima, mas esperemos o resultado até dia 13 de agosto. O ponto é: não posso esperar tal data para começar a estudar, e já organizei com um grupo de amigos meus preparativos para a 2º fase. E agora é isso, focar bem na 2º fase, fazendo simulados de segunda a sábado, e mantendo um momento de descanso aos domingos. Bem, são várias coisas que quis trazer nesse post, mas mesmo escrevendo tanto, não consigo escrever tudo que quero, até porque esse período pré-2º fase é bem osso! Preciso focar bem. Não sei como será os posts aqui em O Tao do Diplomata, mas sem dúvidas quero publicar vez ou outra o que venho fazendo nesse período de estudo tão intenso!

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