Panda descansando. Fotografia de Snow Chang. Disponível em Pexels (2026).
Após mais de dois meses sem publicação, retorno a O Tao do Diplomata para relatar todo esse período, que, sem dúvidas, foi o mais importante nestes tantos anos de estudos para o CACD. Inicio essa publicação, antes de tudo, agradecendo à Santa Catarina de Alexandria, Santo Expedito e São Carlo Acutis, que intercederam por mim e me ajudaram em toda a preparação. Como esta publicação abrange um longo período de tempo, eu a dividi previamente em seções.
Estudos antes do resultado
Como relatado na última publicação aqui no site, eu não estava completamente seguro se eu estava aprovado ou não, embora eu tendesse a acreditar que eu estava sim. Dessa maneira, eu estudei, estudei e estudei. Foi um período muito intenso, em que o estudo foi feito como se eu tivesse a certeza da minha aprovação para a 2º fase. Não descansei dia nenhum, e todas as pessoas do meu convívio notaram que eu estava ausente de quase tudo que não envolvesse o CACD. Evitei sair de casa, evitei comer na rua, enfim, foi um período de estudos intensos, além de muita pressão mental também. Eu sabia que eu tinha pouco tempo, e quanto mais chegava perto da prova, mais eu queria ter mais tempo. Os estudos foram loucos, e no final, eu já estudava o que eu sentia mais insegurança, com pouco balanço entre as matérias. Minhas orações e terço diário, com certeza, me ajudaram nessa fase da minha preparação.
Entretanto, eu senti um baque muito forte no dia 15 de abril de 2026. Era uma quarta-feira qualquer, e eu tinha um prazo de entrega de simulado que paguei com a profa. Claudia Simionato, de português. A minha organização de estudos para o dia era a seguinte: pela manhã, português; pela tarde, história do brasil; e, pela noite, economia. Comecei cedo a estudar português, e perto das 7:30 eu já estava preparado para iniciar os estudos. Comecei! O tempo foi passando e eu notei que eu estava bem lento. Ao meio-dia eu percebi que não avancei quase nada, estava tudo muito esquisito. Perto das 16h, ainda em português, comecei a me desesperar pois não progredi. Desisti perto das 18h, e a ansiedade dominou meu corpo. Em mais de 8h de tentativa de estudos, eu realizei algo equivalente a 30 minutos caso eu estivesse bem. Isso ilustra o quão mal eu estava naquele dia. Fiquei mais ansioso ainda, comecei a pensar o quanto ia jogar fora meu dinheiro, o que a professora pensaria, que eu perdi um dia inteiro importantíssimo de estudos, a pouco mais de uma semana para a prova. E então? Conversei com a professora, e com muita solidaridade ela estendeu o prazo para mim, dando-me um dia a mais do que eu tinha requisitado (!). Ressalto isso pois a professora estava completamente ocupada com a aproximação da prova, e o prazo anterior já era um adiamento! Fiquei muito feliz pois eu pude fazer o simulado posteriormente.
Nessa quarta-feira à noite, percebi o quão mal eu estava. Saí para comer um sanduíche com a minha namorada, e eu estava pouquíssimo comunicativo (traço característico do autismo). Não deve ter sido um burnout autístico, mas ao menos um congelamento autístico sei que foi. Foi um dia muito cansativo, a compreensão da minha namorada, assim como a compreensão da professora Simionato de entender a minha situação, foram determinantes para que eu me acalmasse mais no resto do dia. Mas sabendo que eu estava extremamente cansado dessa rotina que vinha desde o fim de janeiro com a publicação do edital, eu resolvi tomar a ação mais pragmática que eu poderia pensar: sair dessa rotina do CACD/estudos (apenas 9 dias antes da 1º prova de 2º fase). Assim, na manhã seguinte viajei com minha namorada, a Gi, a uma cidade vizinha e nos hospedamos num hotel e passamos o dia na beira da piscina, comendo bem e descansando. A promessa era: não se fala de CACD. Mas isso foi do dia 16 para 17 de abril, e no dia 17 era o dia em que sairia o resultado dos convocados. Por conta disso, acordei quase 10x ao longo da noite. E não, não usei hipérbole pra definir esse número.
O dia 17 de abril – Convocação para a 2º Fase
Se quando acordo 2x na noite, ou mesmo 1x, já é suficiente para me deixar cansado ao longo do dia seguinte, acordar 10x pouco me afetou. Passei a manhã no hotel só pensando na prova, como já estava fazendo pela madrugada ao acordar. Percebendo que lá pras 10h eu estava muito inquieto, resolvi seguir ao centro da cidade e visitar alguns parentes que tanto gosto. Conversar com eles me deixou bem e fez-me fugir um pouco dessa ansiedade pelo resultado. Voltei para a capital após meio-dia, e a viagem também foi outro fator que me tirou da ansiedade. Chegando em casa depois das 13h, eu já estava mais tranquilo, bem como impressionado pelo resultado não ter saído. Bem que, sozinho em casa com a Gi e a minha mãe, por volta das 14:30 saiu. Os grupos vão a loucura. E quando eu falo para as duas: “saiu“, elas ficam agitadas, me perguntam se é verdade, e eu digo que conferirei no meu computador. Eu o abri, achei o link e chequei com “control + F”, “Gustavo M…”. Apareceu outro, e eu apareci em sequência. Pensei um pouco: aqui estão só os convocados para a 2º fase? Se sim, estou dentro. Mas no fundo eu sabia que sim. E eu estava dentro.
Faço essa prova desde 2017 como teste, e desde 2021 seriamente. Foi a minha primeira aprovação para a 2º Fase. Após quase uma década da primeira vez, eu fui capaz de chegar na 2º e última fase do concurso mais difícil desse país. Quanta alegria! Mas…
Eu não estava comunicativo. Não esbocei sorriso, não pulei, não gritei, não falei uma palavra sequer a ninguém. Minha mãe se ajoelhava, agradecia aos céus enquanto chorava, e minha namorada chorava muito, sorrindo, e ligavam para os familiares mais próximos. Eu as abracei pois me abraçaram, mas eu estava completamente imóvel, sem demonstrar nada. O que eu tinha a comemorar? Faltavam só 8 dias para a primeira prova, e eu não poderia me sentir mais inseguro de realisá-la. Tantos medos rodeavam a minha cabeça: e se eu não conseguir fazer as provas a tempo? Meu inglês é bom? Acho que não, posso errar muito em regência verbal, uso do “the“, e tantas outras coisas. E se eu zerar inglês e francês por excesso de erros? Eu posso zerar história do Brasil! Eu posso ir mal em tanta coisa. Para cada uma das oito matérias, eu tinha diversas inseguranças. Com tudo isso na cabeça, como alguém pode ter tempo de sorrir e dizer: “eba, passei!”?
Os estudos subsequentes
Com a cabeça descansada da minha viagem, da conversa com a família, com um tempo a sós com minha namorada, eu sabia que eu estava em condições bem melhores de voltar aos estudos. Mas só faltavam 8 dias. Não tinha tanto o que fazer. Mas segui. Sábado, domingo, segunda… E olha, foi chegando o dia, sábado (25/04) e eu ficava ansioso com os tantos medos que rodeavam a minha cabeça. Mas a bagunça dos estudos das duas semanas anteriores foi ligeiramente concertada nesta semana. Por que? Porque ao invés de eu estudar assuntos aleatórios que mais me geravam ansiedade das 8 matérias, eu resolvi estudar apenas as 4 matérias do primeiro fim de semana: português, história do Brasil, inglês e geografia. E assim fui. Escrevia um pouco para praticar minha caligrafia, e assim foi. Na sexta-feira eu já estava ficando muito cansado de novo, e embora eu tivesse definido meu limite de estudo às 12h, ainda estudei um pouco até umas 15h ou 16h. Mas depois parei completamente para estar minimamente descansado.
A primeira prova
Seguindo as exigências que o autismo me impõem, eu quis seguir minha rotina da exata mesma maneira. Tinha corrido nos dias anteriores para buscar minha pasta de amendoim, para que, assim, eu tivesse o exato mesmo café-da-manhã de todos os dias. Na realidade, ao longo da semana eu já tinha impresso o meu local de prova, o meu comprovante de inscrição e já tinha comprado minhas barrinhas proteicas. Então eu acordei no meu horário de sempre: 5:30 da manhã. Deu tempo de buscar a Gi para tomar café conosco, preparei meu café preto, comi meu sanduíche de sempre, e fui me arrumar. Deixei a insulina pronta, acho que pus um salonpas na lombar, verifiquei as canetas e o documento, e pronto. Era isso. A minha primeira vez indo fazer a 2º fase. Fiquei pensando se teria outros colegas lá. A minha cidade não costuma ter aprovados, mas bem, fazer o quê – seria interessante alguém lá para conversar sobre a prova. Mas enfim, quando deu umas 7:15 saí de casa, bem rapidamente cheguei no colégio, e para a surpresa de ninguém: vazio. Só tinha mais uma colega na minha sala, mas já adianto que ela não apareceu em nenhum dos dias.
Assim, eu fui o único lá. Um colégio inteiro fechado apenas para que eu fizesse a 2º fase do CACD. Que privilégio! Além do mais, todas as fiscais que passaram pela minha sala eram estritamente respeitosas no que tange ao silêncio. Com isso, eu fiz a prova em condições quase perfeitas. O único ponto a se falar eram das cadeiras, algumas eram curvadas no meio, o que atrapalhava um pouco para se escrever durante a prova. Às vezes a mesa bambeava, o que era outro problema que eu precisava lidar durante a prova. Mas era isso. Não havia muito o que fazer, só me adaptar para fazer uma boa prova.
Um dos maiores problemas que eu tenho e que outros candidatos não têm é a diabetes tipo 1. Não há como quantificar o quanto essa condição me atrapalha. Constantemente, seja em casa durante as seções de estudo, seja durante o CACD, preciso monitar a glicemia e verificar se a glicose está bem controlada. Se estiver baixa, tenho problemas severos instantâneos, como confusão mental que pode durar mais de 1h e fazer com que eu perca a prova. Se alta, vou com mais frequência ao banheiro, o que, obviamente, me atrapalha durante a prova. Complicado. Isso sem falar das dezenas de checagem que faço da diabetes ao longo da prova que me fazem querer controlá-la, pondo mais uma variável do que pensar enquanto faço as provas.
Agora sobre cada prova individualmente, comecemos por português. A primeira prova, meu primeiro CACD. Uau! Assim como todas as sete matérias posteriores, me senti sem tempo. Mal a tempo para se respirar, quem dirá pensar em toda uma estrutura. Felizmente o tema da redação era a respeito da teoria utópica das Relações Internacionais. Nem preciso dizer o quanto isso soou agradável para um internacionalista como eu! Embora no final eu tenha ficado com receio de ter confundido uma mera percepção utópica com a corrente utópica, no fim eu estava certo: de fato a redação era sober a teoria utópica das Relações Internacionais. Apesar das travadas que tive ao longo da prova de português, eu fui bem, muito bem! Fiquei muito feliz com meu desempenho, controle de tempo, e isso tudo sem nenhum tipo de simulado parecido. Embora eu tenha feito três simulados em 2026 com a professora Simionato e o professor Takemoto, em todos eu rascunhei e fiz todos no Word, editando e reeditando, para só então transcrevê-lo para o papel e enviar para eles. Ou seja, foi a minha primeira prova (ou simulado) que fiz sem editar o que eu já tinha escrito, só direto no papel. E eu fui excelente! Aqui na nota provisória eu tirei 65,5 de 70 = 93,5%, gabaritando o critério de 45 pontos, e só não fechei a redação por 5 erros, sendo que eu recorri de três deles. Já o resumo foi sobre um texto que tinha por base os princípios das relações internacionais do Brasil (art. 4º da CF/88). Como o tema era familiar e o texto era tranquilo, fiquei muito feliz com meu desempenho ao sair da prova. A nota não foi tão boa, tirei 24/30 = 80%. Mas nos simulados eu costumava mesmo ir pior nos resumos, não tenho uma capacidade de síntese tão boa, a despeito da minha significativa melhora com os comentários do professor Takemoto.
No fim a mão começava a doer, mas tinha que seguir. No intervalo fui almoçar perto, depois fui pra casa, e minha namorada passou a pistola de massagem na lombar, trocamos o salonpas, pus um salonpas pequeno no dedo mindinho da mão direita, após ter deixado a mão sob o gelo por mais de meia hora, e descansei. A tarde veio história do Brasil. Eu tinha me sentido mais confiante com as aulas do intensivo do professor João Daniel. Mas no fundo sabia que, mesmo com a correção das minidiscursivas, tendo assistido muitas das aulas, e tendo lido e relido o meu simulado (quatro questões de história), eu sabia que era minha pior matéria. Mas eu fui. E o professor João realmente foi muito bom em prever os temas da prova. Infelizmente meu desempenho foi pífio, apesar dos esforços do professor: tirei pouco mais de 46 pontos de 100. Nota baixíssima. Mas eu sabia que, no fim, um curso intensivo de 1 mês não seria suficiente para tampar a minha sem vergonhice de ter ficado tanto tempo relegando história para o segundo (ou terceiro) plano. Mas sejamos honestos: sem o professor João Daniel, esse 46 poderia ter sido muito bem 20 ou menos, sem exagero da minha parte aqui. Fiquei muito feliz com meu desempenho e fui agradecê-lo depois da prova. Quero seguir com ele num curso extensivo. O fato de eu ter fechado um critério inteiro sobre voto feminino, sendo que até um mês antes eu não saberia escrever nem uma mísera linha sobre esse assunto, demonstra o quão milagroso (ou quase isso) o curso do professor foi para mim. Infelizmente a questão três eu só respondi 16 das 40 linhas, tendo ido muito mal. No fim da prova, mesmo assim, eu me sentia extremamente cansado e com muitas dores na mão. Dores que só piorariam durante a prova.
Ao sair da prova de sábado (25/04) quase às 19h, eu me sentia cansado. Muito cansado. Fui comer um sanduíche, mas fiquei muito feliz que eu tive conhecimento intelectual para responder a prova. Aquele dia já me demonstrava que eu tinha muito potencial para seguir. Fiquei com medo do dia seguinte: inglês, geografia… Mas enfim, o que eu poderia fazer agora? Já era tarde! Descansemos! É o melhor que eu poderia fazer. E assim fiz. Na manhã seguinte, a mão já estava bem melhor, segui a rotina relatada anteriormente, e segui.
Prova de inglês. Felizmente o tema foi relacionado às Relações Internacionais, o que me ajudou muito: diplomacia da saúde. Fiz um excelente texto. Nunca tinha feito simulado de inglês. Minha primeira vez fazendo foi durante o CACD. Louco? Sem dúvidas. Resultado? 93 pontos. Sim. Tirei 63/70 = 90% na redação. Pouco antes de entrar na prova eu estava revisando alguns conectivos que me poderiam ser úteis. Mas isso não serviu, essas revisões imediatamente anteriores à prova não costumam ter efeito sobre mim. A versão não foi corrigida por um erro ridículo da banca: no caderno de questão vinha escrito “resumo”, mas no edital, numa retificação do edital, na folha definitiva de resposta, assim como no enunciado, vinha o certo: “versão”. Alguns fizeram resumo, reclamaram, e o CESPE decidiu por dar nota máxima a todos. Mas isso não diminui meu mérito: ainda sim acertei 90% da redação de inglês. E essa matéria era uma das minhas maiores inseguranças. Nunca tinha feito um simulado. Não sabia se eu conseguiria escrever em inglês e cometer poucos erros no percurso. Mas eu consegui. E que baita texto. Fui muito bem.
O intervalo foi similar, parecendo um pit-stop de Fórmula 1: correndo no almoço, correndo pra casa, salonpas, spray de dores na lombar, mão, dedo mindinho e pulso, mais salonpas, pistola de massagem, etc. etc.. A tarde eu já comecei a prova de geografia cansado e com dores na mão. Pouco antes de entrar na sala, eu tinha revisado vários assuntos de um resumo interessante que minha amiga Talita tinha feito e me enviado, e esse documento me ajudou a relembrar algumas informações que me fizeram fechar o primeiro critério da questão 1 de geografia. Quando comecei a escrever, já estava preocupado: não devo conseguir terminar. Às 15h minha mão já doía muito (a prova começou às 14h e ia até 19h). O que eu poderia fazer naquela altura? Eu só segui. E segui firme. Tirei gelo da insulina e pus na minha mão. Fiz mais pausas que nas provas anteriores para mover a mão e soltar a caneta. Eu fiz o que pude, mas não deu tão certo. Mas eu vinha fazendo um CACD tão bom até o momento que eu pensei que eu realmente tinha boas chances de ser aprovado. Então tomei uma decisão: dessas 200 linhas que tenho de geografia, escreverei as 200 linhas, sem deixar NENHUMA em branco. Irei até o limite que me foi oferecido, só por RAIVA. Senti raiva das dores. E prometi que eu preencheria cada linha que me estivesse disponível. E assim fiz, com cada vez mais dor… Saí destruído. Com uma dor que nunca senti no meu dedo. Dores no meio da mão e no antebraço eram menores, mas estavam ali. Mas a dor do dedo mindinho não havia igual, nunca tinha sentido algo assim. E minhas dores pareciam maiores que de outros colegas. Seja pela minha forma de segurar a caneta, seja pela caneta, ou seja pela menor prática de escrita à mão, eu sei que doeu muito. Mas eu estava orgulhoso: mesmo morrendo de dor, fiz todas as linhas. E me senti muito bem nas minhas respostas. Infelizmente o resultado provisório foi um mero 69/100, mas espero reverter nos recursos, teve alguns critérios que eu merecia ou ter fechado ou ter me aproximado da nota máxima. Lutei muito nos recursos em geografia.
A semana entre provas
Eu não me lembro exatamente como foi a minha segunda-feira (27/04), mas acredito que eu só descansei. Eu não tinha condição alguma de quantificar o quão exausto eu estava naquele dia. E segui assim. Saiu o padrão preliminar de respostas e eu não os li direito, só passei o olho. Estava muito cansado pra isso. Entre terça-feira e quinta-feira saiu o prazo para interposição de recursos contra esses padrões. Eu não interpus recurso algum. Não tinha tempo. O pior fim de semana se aproximava: política internacional, economia, direito e francês, nessa ordem. Realmente parecia um fim de semana mais difícil… Na aula de francês eu fui mal e a professora me falou que aquele exercício mal (não lembro se foi résumé ou version) não me definia, e que eu costumava ir bem melhor. Também revisei alguns planos econômicos de economia, li algumas coisas de Mercosul e União Europeia, revisei francês e assisti muitas aulas do prof. Macau de direito – inclusive com um fichamento só de normas que eu fiz com base no material dele. E assim eu segui. Eu estava com uma indecisão nessa semana: devo escrever muito para calejar a mão e manter a prática, ou devo descansá-la completamente para chegar com ela descansada para o segundo fim de semana? Eu poderia adotar um meio termo, talvez. Mas tomei a segunda opção: descanso quase completo da mão. Se foi a melhor opção, não sei. Senti muitas dores no segundo fim de semana, mas sinto que não teria mudado muito com outra estratégia, o ideal é voltar a escrever mais a mão ao longo do próximo ciclo de preparação. Na sexta-feira fiz o mesmo da sexta anterior: pouco estudo, majoritariamente pela manhã, e o resto descanso completo.
As últimas provas e o descanso
Finalmente chegou o último fim de semana. A começar com a prova de política internacional. Foram quatro questões, 200 linhas e temas bem puxados. Resultado? Fechei uma questão inteira, a questão 1 de Política Internacional, sobre as relações Brasil-China. Não teria como um sinólogo ir melhor, não é mesmo? Fiquei muito feliz enquanto fazia a prova. A questão seguinte foi sobre Direitos Humanos, AGNU, etc. etc.. (eu citei explicitamente a diplomacia presidencial do presidente de Gana, John Dramani Mahana), a questão três versava sobre a cúpula de inteligência artificial na Índia no início do ano e a postura brasileira e indiana sobre o assunto (usei muito de um podcast que ouvi semanas antes, salvo engano foi um episódio do President’s Inbox de apresentação do James Lindsay acerca da postura da delegação estadunidense na referida cúpula). Por fim, a questão 4 foi sobre o acordo Mercosul-UE e impactos para o Brasil – minha pior nota na matéria, o que eu achei um absurdo. O resultado final foi pouco mais de 73 pontos, sendo que eu considero merecer mais de 80p, já que fui muito penalizado, injustamente, em especial nessa última. Aqui consta a minha questão 1 de Política Internacional, em que tirei a nota máxima:


A mão já estraçalhada teve que seguir a tarde com economia. Quando folheei, vi que uma questão inteira de 60 linhas (30 pontos) eu não sabia responder. Controlei a ansiedade com isso, a ansiedade resultado das dores, assim como a ansiedade com o tempo, e comecei. Fiz a questão 1, 3 e 4, nessa ordem (sempre respondo tudo na ordem que me vem, a única exceção foi economia, já que eu não sabia nada a respeito da questão 2). Caso alguém tenha curiosidade, esta foi a questão 2:

Eu só não a deixei completamente em branco pois eu poderia ser eliminado do concurso, salvo engano. Então respondi 4 linhas aleatoriamente (não pus qualquer coisa, como uma receita de bolo, rs), praticamente reescrevi alguns dos critérios aí acima. Obviamente fui zerado, e isso me prejudicou muito. Nota final em economia? Pouco mais de 35p. O meu maior desastre, a pior matéria, juntamente de história do Brasil. Mas para ser honesto, tirei uma nota pífia na questão 1 (10,5/30p). Recursei muito, pois eu esperava no mínimo 24p nela. Honestamente, para mim, foi uma das maiores injustiças que recebi nessas notas provisórias. A questão 3 e 4 também tirei notas bem baixas e recursei muito por conta disso.
Saí quase 20h do sábado (02/05) do CACD. Quanta loucura. A mão já doía tanto… Foi uma insanidade. Resolvi nem escrever muito na questão 2 de economia para descansar a mão. Eu pensei: posso escrever umas 20 linhas e chutar para tentar pontuar, mas e o que sairia disso? Poderia escrever 20 linhas e zerar, assim eu só teria machucado ainda mais minha mão. Foi uma decisão difícil. Eu poderia ter pontuado, poderia não ter pontuado (lembrando que não se perde ponto por informação errada, só deixa de ganhar ponto). Mas decidi não prosseguir – os critérios eram bem específicos, o que diminuíam ainda mais minhas chances de acertar algo pelo acaso.
Fui dormir lá pras 23h, porque ficamos tão ligados com isso tudo. Na manhã seguinte, todo o ritual de sempre e lá estávamos nós novamente para o último dia de provas, domingo (03/05). Revisei muitas coisas com o professor Macau e com o material que citei anteriormente, e fui para a prova. Impressionantemente eu fechei mais uma questão de 30 pontos em Direito! Foi a questão 2 sobre Direito Internacional do Mar. Do resto fui muito bem, fechando alguns outros critérios de outras questões. A nota foi mais de 75p, mas mais uma vez fui muito prejudicado na questão 4 de Direito, que por coincidência também era sobre Mercosul-UE, mas envolvia um pouco mais de processo legislativo brasileiro. Tirei uma nota pífia: 8.67/20p, nota idêntica a vários candidatos. Acho que tenho muito o que evoluir nessa matéria. Segue a questão 2:


Para finalizar tudo, fechar com chave de ouro, francês. Já adianto que o resultado final foi bem fraco, pouco mais de 60p, tendo ido levemente melhor no résumé do que na version. Ainda assim fiz o meu melhor e notei que, a despeito da excelência do ensino da minha professora, o fato de eu não estudar em casa sem consulta está me deixando acomodado e estagnado. A prova me mostrou que sinto-me inseguro para escrever diversas palavras que lido constantemente em francês e que preciso estudar com mais afinco e com técnicas diferentes, tirando cada vez mais a muleta da consulta ao longo da preparação, e fazendo mais atividades à mão. Bem, não tenho muito o que dizer, fiquei chateado com a nota baixa, mas é uma matéria de fato muito difícil. Ano que vem quero tirar mais de 80 pontos, idealmente mais de 85p! E eu sei que tenho total capacidade disso!! Minha evolução em francês vem sendo fantástica ao longo dos anos.
Os recursos
Minha segunda-feira (04/05) foi um dia de extremo descanso. Não tinha mais o que fazer… Eu precisava descansar. Não completamente pois entre terça e quinta viria o prazo de interposição de recursos contra o padrão preliminar de resposta publicado ainda na segunda. Eu fiz alguns poucos recursos, mas estava tão impaciente, tão cansado, tão exausto, que não fiz tanto quanto eu queria. Mas na sexta-feira eu de fato descansei. Sábado foi aniversário da minha mãe, na outra terça o meu próprio aniversário (12/05), e foi um período bom para tirar a cabeça da prova. Descansei nestes dias. Não completamente pois eu ficava animado para saber o meu resultado e se eu tinha chance de ser aprovado. Para deixar essa ansiedade de lado, tomei a decisão mais lógica e pragmática para esquecer o CACD: planejei me dar duas novas tatuagens. Fui no tatuador, pensei nas artes (artes pensadas há anos, diga-se de passagem) e fiz. Na segunda-feira, no meio de uma sinusite e no início de um ciclo de 10 dias de antibiótico, fiz as duas tatuagens. Não façam isso… Mas felizmente, apesar da sinusite, dos remédios e da diabetes, eu tive uma excelente recuperação. Hoje já estou no 11º dia da tatuagem, e já estou ótimo, com uma cicatrização quase completa (na verdade, nem criou casca, só caiu a pele).


Subliminarmente fiz o símbolo do taoísmo, em destaque aqui no site (precisa-se de olhos bem atentos para reparar a inspiração, mas acredito que com minha indicação fique mais fácil).
Voltando ao campo dos estudos… Chegou o dia. Quinta-feira (21/05). Meu resultado: pouco mais de 543 pontos. Antes de tudo eu tinha feito uma lista para que eu não me sabotasse no dia que saísse o resultado. A lista definia como eu deveria me sentir com cada faixa de resultado. A lista:
SATISFAÇÃO PESSOAL COM A NOTA A SAIR NA QUINTA-FEIRA (máx.: 800)
< 200 – Muito mal. Mais do que aceitável ficar muito triste. Decadente.
200 a 300 – Mal, mas é aquilo né, foi minha primeira vez. Tenho muito a aprender com as notas e os erros.
300 a 400 – Ok! Nota baixa e nada competitiva, mas pra uma primeira vez está ok!
400 a 500 – Boa! Mais da metade no concurso + difícil do país numa 1º vez.
500 a 550 – Caramba, show de bola, e olha que ainda nem veio os recursos! Devo comemorar!!
550 a 600 – Notaça. Maior que a maioria dos candidatos de 2º fase, incluindo os de AC. Comemorar pra caramba!!
600 a 650 – Uma nota que simplesmente me põem no jogo. Isso aqui é pra abrir champagne.
> 700 – Eu sou o maior prodígio dos últimos anos no CACD e já posso comprar meu terno pra trabalhar em julho!
Como eu tirei entre 500 e 550, eu só tinha o que comemorar! Porém fiquei um pouco triste em notar que eu fiquei numa posição bem baixa em relação aos demais candidatos. Mas e daí? O meu critério era por nota, não posição. Eu estava começando a invalidar o meu progresso, a minha nota e todo o meu esforço. Afastei esse pensamento da minha cabeça, que durou algumas horas, e comecei a valorizar esse feito incrível que eu tinha feito. Próximo passo? Recursos.
Entre sexta-feira e domingo começaram os recursos. Foi um período de extremo cansaço. Tive uma situação bem infeliz com um grupo de uma universidade paulista que tinha combinado de fazer alguns dos meus recursos e covardemente desistiram bem em cima da hora. Mas pouco importava. Segui firme e forte. Tive muita ajuda no domingo do meu amigo Rafael que fez meus recursos dos critérios de francês (acho que foram mais de 20 páginas juntando os dois recursos que ele me fez). A Talita também me ajudou muito com outros recursos. E assim eu segui com os demais. Na sexta eu passei umas 3h me organizando. Mas estava muito cansado para começar os recursos. No sábado eu já não poderia mais adiar, comecei cedo mas vi que o ritmo era bem lento e cansativo. Usei o Claude, uma IA que venho gostando muito. Não sinto muito orgulho disso, praticamente só não usei muito IA nas provas de línguas, mas nas demais praticamente só usei o Claude. E mesmo assim só terminei lá pras 16h do domingo. Estava tão cansado… É complicado fazer recursos já sabendo que você não tem como reverter e ser aprovado neste ano. Mas ainda assim os recursos são uma experiência muito válida. É uma contradição curiosa… Digo a verdade quando falo que tive que me esforçar para fazê-los. “Fazê-los”, já que o Claude fez a maioria. Como este é um site estritamente pessoal, não mentirei: alguns eu nem li, de tão bons que estavam ficando os recursos que o Claude tinha feito. Estavam tão perfeitos que eu confiei cegamente alguns recursos e enviei mesmo sem revisá-los. Deu umpouco de ansiedade pensando nisso depois, mas está tudo bem. Eu estava numa citação de congelamento autístico. A cabeça desde o dia 4 de maio (um dia após a última prova) estava estão exausta que eu até hoje tenho dificuldade para focar em algo que exija minimamente de mim. Mas enfim, pelo menos terminei esse período.
O futuro
Não sei o que me reserva no futuro. Sei que dia 3 de junho eu terei o meu resultado definitivo, e eu gostaria muito de ganhar mais de 60p, para pelo menos figurar na casa dos 600p. Já seria incrível, mas dizem que um bom ganho de pontos em recursos varia de 30 a 40p, qualquer valor acima é mais do que excepcional. Mas vejamos, meus recursos ficaram muito bons, e tem muitos critérios em muitas questões que eu realmente mereço uma nota bem superior. Agora organizarei minha rotina ao pouco, retirarei os vícios como telas a todo o momento, e tentarei me regular novamente frente a tantos estímulos: diminuir novamente o uso de celular, de telas em geral, etc. etc.. E claro, voltar a estudar de pouco, em especial inglês, que tenho um curso aí na espreita e bem atrasado! Mas vamos lá, de pouco em pouco a galinha enche o papo. Não devo me pressionar mais uma vez, mas avançar devagar nos próximos dias e semanas.
Nova rotina
Este é o próximo passo. Algumas coisas eu sei que devo seguir, como: 30 dias ininterrupto de treino (academia ou aeróbico) + terço + sem açaí. Isso é bom para melhorar um princípio de compulsão alimentar com esse “alimento conforto”, fortalecer minha fé e fortalecer o mental e o físico também. Além do mais, esse rigor de 30 dias será essencial para que eu crie uma nova rotina “rígida”, seguindo-a sem hesitar.
De resto, sei que preciso focar no inglês. Já tirei os dispositivos eletrônicos (celular, iPad e notebook) pelas manhãs (7:30 às 11:30) para que eu focasse mais – por isso consegui escrever este texto aqui por mais de 1h30m sem parar nesta manhã de sexta-feira. Posso aproveitar também para estudar inglês todas as manhãs e diminuir o gap do curso De resto, preencherei o Structured para voltar a usá-lo e ter mais regularidade e previsibilidade na rotina. Hoje a noite discutirei com o meu grupo menor de CACD os nossos próximos passos. Por enquanto é isso, escreverei mais aqui (ou em outra publicação) sobre o que versa da nova rotina. Estou animado para o próximo ciclo, e tenho mil ideias para corrigir no que tange aos meus estudos. E isso me empolga muito! O futuro é empolgante, pois tenho a certeza que minha aprovação virá.
